Bolsonaro corta R$ 160 milhões do Amazonas em retaliação aos senadores na CPI da Covid

O governo federal cortou recursos de emendas parlamentares encaminhadas aos municípios do Amazonas de pelo menos R$ 160 milhões que beneficiariam municípios do estado.

Ou seja, são recursos ligados aos senadores amazonenses da CPI da covid, Omar Aziz (PSD), presidente do colegiado, e Eduardo Braga (MDB), e que deixaram de ser enviados. Como informa reportagem do Uol.

Sobretudo, segundo os senadores, os cortes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ocorrem como retaliação à atuação deles na comissão parlamentar de inquérito.

Os cortes, de acordo com os parlamentares, afetam principalmente os municípios do interior do Amazonas, mais isolados e com estrutura de saúde precária e que dependem muito dos repasses estaduais e federais.

Dessa maneira, além da segunda onda da covid-19, o estado enfrenta a maior cheia de sua história, que deixou desabrigados em várias cidades.

Nenhum centavo

“Desde dezembro que o interior do estado não recebe nenhum centavo para o custeio da saúde… há seis meses o orçamento está congelado, não andou”, disse Braga ao Uol.

“As emendas não são dos senadores, as emendas são do estado. Naquele corte não houve critério algum. De alguns estados se cortou tudo, de outros nada. É estranho esse tipo de comportamento”, disse Omar Aziz.

O Uol enviou perguntas sobre os cortes ao Palácio do Planalto na tarde de segunda-feira (14), mas não obteve respostas ao que foi questionado. Se houver resposta, ela será incluída nesta reportagem.

Amazonas com maior corte

O Inop (Instituto Nacional de Orçamento Público) aponta que, no ranking por estados, o Amazonas foi o que recebeu o maior corte em termos percentuais e absolutos.

No documento, ao qual o Uol teve acesso, há, por exemplo, um veto no valor de R$ 140 milhões direcionado à “implantação e qualificação viária” da região metropolitana de Manaus.

Esta emenda foi direcionada por Eduardo Braga após um trabalho feito pelo congressista junto ao MDB.

Outros R$ 20 milhões destinados à construção da BR-319, estrada localizada na divisa entre o Amazonas e Rondônia e que não tem asfalto em função de pendências com exigências ambientais, também foram vetados pelo Palácio do Planalto.

A rodovia é defendida por ambos os integrantes da CPI.

Senadores

De acordo com Braga, as emendas de comissão dele eram todas direcionadas à infraestrutura.

Os vetos atingem repasses para municípios da região metropolitana de Manaus, para reparos de portos no interior que estão inoperantes há mais de sete anos, entre outros.

“Eu sinceramente espero que isso tudo não passe de uma verborragia. Uma incontinência verbal. Com 40 anos de vida pública, não tenho mais que me surpreender com as coisas”, disse.

O senador Omar Aziz afirmou que os vetos “não intimidam”, e que, desde que aumentou o desgaste para o governo federal na CPI da covid, o presidente Bolsonaro tem elevado as críticas a ele e a Braga.

Fonte: BNC

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