‘Bolsonaro troca de ministro da saúde como troca de camiseta’ declara o presidente da CPI da COVID

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID no Senado, Omar Aziz (PSD-AM) se irritou com o depoente desta quinta-feira (6/5), ministro Marcelo Queiroga. O atual gestor da pasta tem se esquivado de responder aos questionamentos do relator, Renan Calheiros (MDB-AL).

As perguntas direcionadas à Queiroga foram relacionadas ao tratamento precoce, mas ele evitou de responder dizendo que seria necessário se embasar no protocolo da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). 

Os senadores que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acusaram o relator de induzir a testemunha. Em seguida, o presidente Omar Aziz defendeu que a testemunha deveria responder a todas as perguntas. “Um homem que passou, no mínimo, 6 anos em uma universidade para se formar em medicina, mais dois de residência, e mais não sei quantos anos para se tornar o que for, não pode chegar aqui e a gente não ter respeito”, afirmou o senador Omar.

O parlamentar, presidente da CPI, ainda aconselhou o atual ministro da Saúde. “Para ele, o ministério não é atividade fim da vida dele. Ele sai do ministério, que é passageiro, e vai continuar como profissional que é respeitado no meio. A condição dele aqui como testemunha, mostra à vossa excelência que, quando coloca isso, vai ficar o resto da sua vida. Por isso, eu aconselho, ministério, cargo ou qualquer coisa passa na nossa vida. A nossa vida vale mais que um cargo que você possa exercer momentaneamente ou temporariamente. Por isso, lhe aconselho a ser bastante objetivo e falar somente a verdade aqui para que não haja, mais tarde, problemas pessoais.”

Omar ainda ironizou a troca de ministros do governo Bolsonaro. “Pelo andar da carruagem, se troca de ministro da Saúde como se troca de camiseta”, disse.

Marcelo Queiroga assumiu o comando do Ministério da Saúde em 15 de março deste ano. Ele é o quarto gestor da pasta: primeiro, Luiz Henrique Mandetta (1° janeiro – 16 de abril), depois Nelson Teich (16 de abril – 15 de maio). O terceiro foi o general Eduardo Pazuello, que assumiu como interino em 15 de maio, mas só foi concretizado quatro meses depois (16 setembro – 15 março).

A CPI ouviu Mandetta na terça (4/5) e Teich na quarta (05). Pela ordem cronológica, o próximo seria Pazuello, mas ele alegou ter contato com pessoas que testaram positivo para a COVID-19 e, por isso, o depoimento foi remarcado para 19 de maio.

Ainda nesta quinta-feira (6/5), às 14h, senadores vão ouvir o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres.

O que é uma CPI?

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) são instrumentos usados por integrantes do Poder Legislativo (vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores) para investigar fato determinado de grande relevância ligado à vida econômica, social ou legal do país, de um estado ou de um município. Embora tenham poderes de Justiça e uma série de prerrogativas, comitês do tipo não podem estabelecer condenações a pessoas.

Fonte: O Estado de Minas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *