Cego por Omar Aziz, presidente Bolsonaro erra ao cobrar pronunciamento do presidente da CPI da Covid sobre ataques em Manaus

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cobrou hoje um posicionamento dos dois senadores do Amazonas na CPI da Covid — Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB) — sobre os recentes ataques criminosos ocorridos em Manaus, embora o primeiro já tenha se pronunciado.

“Eles não são lá do Amazonas? Não cuidam do interesse do estado? Estou aguardando o pronunciamento deles. Já que está bem lá (no Amazonas), estão preocupados com a CPI…”, disse Bolsonaro na manhã de hoje, em registro do canal Foco do Brasil, no YouTube.

Aziz, que preside a CPI da Covid e foi governador e secretário de Segurança Pública do Amazonas, se pronunciou na noite de ontem sobre os ataques ocorridos na capital amazonense.

Em vídeo, o senador do PSD elogiou o trabalho dos policiais militares e civis no combate ao crime organizado — “são homens e mulheres valorosos” — e pediu ajuda do governo federal no combate aos episódios de violência em Manaus.

“É necessário unirmos forças nesse momento. O governador (Wilson Lima, do PSC) precisa pedir a Força Nacional. Tem que conversar com o Comando Militar na Amazônia para dar segurança à população em Manaus. Não se pode viver no terror”, cobrou.

Já Braga se pronunciou hoje pela manhã, logo após a veiculação da fala de Bolsonaro no canal Foco do Brasil, fazendo uma reflexão sobre o papel do Estado no combate ao crime.

Em uma série de tuítes, o senador do MDB disse que, de início, para combater a criminalidade, deve-se agir de forma “organizada” e com “inteligência”, valorizando os profissionais de segurança pública.

“E mais do que isso! É preciso investir na juventude, com esporte, emprego e lazer para que não caiam no crime”, afirmou, citando uma série de projetos da época em que governava o estado. “O que está sendo feito para prevenir e evitar que a juventude caia no crime?”, indagou.

Onda de violência em Manaus

Desde a noite do último sábado (5), Manaus vive uma onda de ataques, com registros de incêndio em diversos bairros da cidade. Segundo o governo do AM, eles estão sendo motivados pela morte de um traficante.

Pelos cálculos da Secretaria de Segurança Pública do AM, até a manhã de hoje, 15 ônibus e duas viaturas policiais foram incendiadas. Uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) também chegou a ser roubada e incendiada por criminosos.

Até a manhã de hoje, 16 pessoas foram presas sob suspeita de realizarem ataques na capital amazonense. Ontem, a delegada-geral da Polícia Civil do Amazonas, Emilia Ferraz, disse que 13 presos estavam envolvidos diretamente nos atentados.

Hoje pela manhã, seguindo a linha do defendido ontem por Omar Aziz, Wilson Lima pediu ao Ministério da Justiça o envio de homens da Força Nacional ao AM com o objetivo de “reforçar o trabalho das forças de segurança do Estado”.

Criada em 2004, a Força Nacional de Segurança Pública tem, entre suas atribuições, executar atividades, em cooperação com os estados, de policiamento ostensivo em casos de perturbação da ordem pública e segurança das pessoas e do patrimônio.

O envio da Força Nacional pode ser solicitado expressamente ao Ministério da Justiça por governadores. O tempo máximo de atuação é de dois anos mas, geralmente, o auxílio é disponibilizado por períodos mais curtos ou até o esgotamento da crise que deu origem à solicitação.

Fonte: Uol

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