Presidente da CPI da COVID Senador Omar Aziz relembra ex-ministro do ‘comunavírus’

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID no Senado, interrompeu o depoimento do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ele cobrou a verdade do chanceler porque, segundo ele, antes de iniciar a sessão, deu várias declarações de ataques à China, país que fornece insumos para produção de vacinas no Brasil.

Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da pandemia, questionou Araújo se, em relação à sua atuação, como ele avalia o impacto de suas declarações anti-chinesas em relação a atual carência de insumos para a produção da Coronavac. “Não entendo nenhuma declaração que eu tenha feito como anti-chinesa. Houve determinado momento, como sabem, por notas oficiais, o Itamaraty (eu), tomei a decisão de nos queixamos de comportamentos da embaixada da China, ou do embaixador da China, em Brasília. Mas não houve nenhuma declaração que se possa qualificar como anti-chinesa. Não há nenhum impacto de algo que não existiu”, respondeu o ex-ministro.

Omar interrompeu a fala dizendo que Ernesto Araújo ‘está sob juramento de falar a verdade’. “Há pouco eu estava na outra sala, vossa excelência deu várias declarações anti-China. Inclusive já se indispôs por várias vezes com o embaixador Chinês”, disse o presidente da CPI. “O senhor escreveu um artigo que chama de ‘comunavírus’ e há pouco o senhor disse para o relator que não teve nenhuma declaração. Tem várias”, acrescentou.

“Inclusive, você faz uma ilusão erroneamente em relação em que a pandemia é para ressuscitar o comunismo porque deixa as pessoas em casa. Na minha análise pessoal, vossa excelência está faltando com a verdade. Vossa excelência escreveu no seu Twitter, fez um artigo sobre isso. Se vossa excelência acha que isso não é se indispor em que nós temos uma relação comercial muito importante para a gente, então não entendo mais sobre como se faz relações internacionais. Chegar aqui agora e desmerecer o que já praticou e dizer nesta CPI para todos os senadores que nunca se indispôs com a China está faltando com a verdade. Até bateu boca com o embaixador chinês”, continuou Omar Aziz.

O presidente da CPI se refere ao artigo “Chegou o Comunavírus”, que Ernesto Araújo escreveu para seu blog “Metapolítica 17” em abril de 2020. Nele, ele endossa as palavras de Slavoj %u017Di%u017Eek, um teórico marxista, sobre um ‘jogo comunista-globalista de apropriação da pandemia para subverter completamente a democracia liberal e a economia de mercado, escravizar o ser humano e transformá-lo em um autômato desprovido de dimensão espiritual, facilmente controlável.’

Ernesto Araújo se justificou: “É uma referência não ao coronavírus, mas aquilo que o autor marxista, cujo texto eu analiso no meu artigo, classificou como vírus ideológico. Esse autor escreveu um pequeno livro dizendo que havia o vírus e ele tinha criado a oportunidade para o surgimento de um vírus ideológico, que esse autor saúda. É um vírus que cria as condições para implementação daquilo que ele mesmo considera uma sociedade comunista global”, disse na CPI.

Por fim, Omar Aziz ironiza: “Uma das maiores injustiças que o presidente Bolsonaro fez foi pedir sua carta de demissão. Que injustiça”, disse concluindo o assunto.

O chanceler brasileiro de janeiro de 2019 a março deste ano é o sétimo depoente na CPI da pandemia nesta terça-feira (18/5) e, assim como os demais, fala na condição de testemunha.

A CPI da COVID apura possíveis ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia do coronavírus e repasses de verbas a estados e municípios. Os depoimentos tiveram início em 4 de maio, com Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde.

No dia seguinte, Nelson Teich, sucessor de Mandetta no cargo, depôs. Na última quinta-feira (6/5), foi a vez de Marcelo Queiroga, atual ministro da Saúde, prestar depoimento. Na última terça-feira (11/5), o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, depôs.

Sucessor de Teich e antecessor de Queiroga no Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello vai depor nesta quarta-feira (19/5). Inicialmente, ele seria ouvido em 5 de maio, mas alegou que estava em isolamento após contato com pessoas com suspeitas de COVID-19.

Já na última quarta-feira (12/5), Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo federal, foi ouvido pelos senadores. Na última quinta-feira (13/5), Carlos Murillo, ex-presidente da Pfizer no Brasil e atual presidente regional da empresa na América Latina prestou depoimento na CPI.

As reuniões são semipresenciais, e os depoentes são aconselhados a estar fisicamente na CPI da pandemia. A sessão da CPI desta terça, com depoimento de Araújo, é o nono desde sua instalação, em 27 de abril deste ano.

Fonte: Estado de Minas

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