Menina de 10 anos sofre abuso sexual em Itacoatiara; principal suspeito é o avô

“Se ela contasse, ele disse que iria fazer pior, por isso ela tinha medo de contar”, disse a mãe de uma menina de 10 anos que foi abusada sexualmente no município Itacoatiara  (distante 175 km de Manaus). De acordo com a vítima, o crime foi cometido pelo seu próprio avô paterno, de 70 anos.  A reportagem do Radar foi até o município nessa terça-feira (9), e conversou com a mãe da vítima que agora luta para pedir a prisão do acusado, que nem sequer foi chamado para depor na delegacia e ainda segue em liberdade, mesmo diante de um laudo médico que comprova o estupro.

“Que seja feita a justiça porque eu já tenho a voz da criança pedindo socorro, eu já tenho o laudo com as informações que o médico já atestou o crime, eu já tenho tudo pronto toda a documentação, e ainda sim ainda dizem para aguardar e ainda dizem para eu ficar esperando porque é um prazo extenso. Meus familiares estão desesperados porque a gente está vendo a situação passar nos olhos da polícia e a polícia pede pra gente esperar, essa é a minha revolta”, disse a mãe da criança.

O Radar tentou falar com o delegado Paulo Barros, titular da Delegacia Interativa de Polícia (DIP) para questionar a lentidão no andamento do processo, mas foi informado que seu expediente já havia terminado e que qualquer informação só poderia ser dada por ele.

Como a família descobriu o crime  

Residida em Manaus, a mulher enviou a filha ao município para passar um tempo com o pai, de quem é separada. E na sexta-feira (5), foi informada por familiares que a pequena entrou em contato com uma colega através do Instagram relatando o abuso.

“Na mensagem ela pedia socorro e dizia estar desesperada, pois o avô pegava em suas partes íntimas. Essa amiga contou a parentes e essa informações chegou até nossa família, pois somos conhecidos”, disse.

Chegando ao município no sábado, de imediato a mulher pegou a filha e fez um Boletim de Ocorrência (B.O) para registrar o crime. Uma irmã de seis anos da vítima também estava com o pai, mas o exame de violação carnal deu negativo. Ainda assim, a caçula também seria ouvida na delegacia, mas devido o computador da unidade prisional estar danificado o depoimento não foi registrado.

O laudo médico consta que a menina de dez anos teve o ‘hímen deflorado com cicatrização antiga e sem sangramento’. A mãe disse que questionou a pequena sobre algum abuso passado, mas a criança nega ter sofrido algo parecido.

“Ela disse que nunca aconteceu isso antes, que a primeira vez que o avô a tocou foi em janeiro desse ano. Pensávamos que fosse apenas um aliciamento, mas o exame comprova o rompimento do hímen. E uma mãe ler isso é devastador. Toda a noite por telefone minha filha dizia estar bem, mas na verdade estava sofrendo calada”, relatou.

Assédio das autoridades locais

Além da angústia pelo sofrimento da filha, a mãe relata o descaso, que segundo ela, tem sofrido por parte das autoridades policiais. “Desde o primeiro momento fui destratada na delegacia pelo investigador. Ele disse que eu não tinha palavra e era mau-caráter por ter tirado minha filha do pai. Sendo que eu sou a única que estou indo atrás de tudo para resolver. Fora que o trabalho dele é investigar e não julgar e tomar partido. Além de tudo sou mulher, estou grávida e ainda assim ele não levou em nada em consideração”, finalizou.

Segundo informações que chegaram ao Radar, o autor do crime está sendo defendido supostamente por um advogado chamado Richardson Aranha, que é vereador em Itacoatiara. E talvez devido à influência do vereador, a polícia ainda não tenha expedido um mandado de prisão preventiva. Enquanto isto, a família continua suplicando por Justiça e recorrendo a todos os meios para provar o crime de estupro de vulnerável.

“Se eu procurei os portais, se eu procurei outras vozes para gritar comigo é porque eu e minha filha precisamos de ajuda”, disse a mãe da vítima.

Fonte: Radar Amazônico 

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