Interagências garante segurança aos Yanomamis
A Operação Catrimani II completou um ano. Desde abril do ano passado, militares da Marinha do Brasil (MB), do Exército Brasileiro (EB) e da Força Aérea Brasileira (FAB) atuam em ações repressivas e em ações logístico-humanitárias na Terra Indígena Yanomami (TIY), sob a coordenação da Casa de Governo. A Casa de Governo, vinculada à Casa Civil da Presidência da República, coordena e monitora a execução do Plano de Desintrusão e de Enfrentamento da Crise Humanitária na TIY, além de promover a interlocução entre as FA e os Órgãos de Segurança Pública (OSP) e agências governamentais.
Os resultados das ações foram obtidos em operações interagências e é fruto do esforço coletivo de inúmeros Órgãos de Segurança Pública (OSP) e agências governamentais. Após um ano, o êxito das operações demonstra a eficiência da tropa no cumprimento da missão e o compromisso das Forças Armadas (FA) com a proteção do meio ambiente e dos povos originários.
Ações repressivas
As ações repressivas concentram-se no combate ao garimpo ilegal e na desintrusão da presença humana ilegal no interior da TIY. As ações de patrulhamento foram realizadas em coordenação com diversos órgãos e agências governamentais, reunidos na Casa de Governo, e os resultados apresentados foram obtidos nesse esforço conjunto. Após um ano de operações, o prejuízo estimado ao garimpo ilegal ultrapassa os 345 milhões de reais, fruto de mais de 4.510 operações, 22.642 abordagens e 2.851 autuações e notificações. Além disso, foram destruídos 508 acampamentos ilegais e 2.799 máquinas, geradores e motores. Atingindo a logística e a infraestrutura do garimpo, alvos principais da Catrimani II, 33 aeronaves foram apreendidas, 53 pistas de pouso ilegais inutilizadas, foram apreendidos e inutilizados mais de 186 mil litros de combustível e 123 balsas e dragas foram retiradas de circulação. Além disso, 192 veículos e 219 embarcações foram apreendidos ou inutilizados.
Outros resultados atestam o sucesso da operação interagência. As FA, os OSP e as agências governamentais apreenderam 34 kg de ouro, 158 toneladas de cassiterita, 128 armas e 160 antenas de internet, que apoiavam as comunicações dos garimpeiros, foram apreendidas/inutilizadas. As ações resultaram na prisão de 176 pessoas.
As ações trouxeram resultados imediatos ao meio ambiente. O monitoramento por satélite apontou a redução em 94,11% da atividade de garimpo ilegal, entre março de 2024 a fevereiro de 2025, conforme dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), integrante dos esforços interagências. Não houve alerta garimpo em setembro, outubro e novembro de 2024, indicando a drástica redução da presença não-indígena no interior da TI. E, segundo o IBAMA, alertas de desmatamento foram reduzidos a zero, pela 1ª vez, desde 2023.
Houve sensível melhora na qualidade da água dos rios da TIY, incluindo queda significativa nos níveis de turbidez, que começaram a retomar a coloração natural. Após a retirada de circulação de cerca de 227 kg de mercúrio, os yanomamis retomaram a prática da pesca e o consumo da água e do peixe local.
Uma iniciativa específica das FA foram as operações continuadas e noturnas, denominadas Flecha Noturna, que tiveram como característica o emprego de Equipamentos de Visão Noturna (EVN) e drones com câmeras no espectro infravermelho. Essa estratégia evitou que o agente ilícito se escondesse de dia e atuasse à noite. Essas são capacidades únicas inerentes às FA que, sinergicamente aos esforços das demais agências, contribuíram com os resultados alcançados. Para alcançar a surpresa, operações foram desencadeadas no período do Natal de 2024 e na virada do ano.
As patrulhas fluviais realizadas regularmente pelos militares e agentes destacados nas bases temporárias foram parte crucial da estratégia adotada. Mais de 30 mil km de rios foram patrulhados em um ano de atuação na TI Yanomami. Além disso, atendendo à solicitação da FUNAI, foram instaladas barreiras fluviais nos principais rios que acessam a TIY.
A Marinha do Brasil também participou do patrulhamento fluvial. O navio de Aviso Hidroceanográfico Fluvial Rio Negro participou com realização de sondagem operativa no rio Catrimani, tornando-se o primeiro navio da MB a navegar dentro da TIY. A sondagem realizada pelo navio trouxe informações sobre as condições de navegação na região, o que vai contribuir para o planejamento de operações futuras.
Além da atuação fluvial e terrestre, as ações contam com o apoio das aeronaves das três Forças Singulares. Foram mais de 1.800 horas de voo, apenas pelas aeronaves das Forças Armadas, que apoiaram as ações da tropa. Essas horas de voo representam cerca de 13 voltas ao redor da Terra. Na tarefa de inteligência, vigilância e reconhecimento, também foram empregados satélites, equipes de reconhecimento e vigilância do Exército, radares, drones e as aeronaves R-99 e A-29 da FAB.
A fim de aumentar a presença das FA no interior da TIY e apoiar as ações repressivas e logístico-humanitárias, as FA construíram duas Bases de Apoio Interagências, em Pakipali, no rio Uraricoera, e em Kayanaú, no rio Mucajaí. Estas bases possuem estrutura de apoio para que os OSP e agências atuem em segurança no interior da TIY, incluindo levando apoio de saúde aos yanomamis. Da mesma forma, o EB implantou um novo Destacamento Especial de Fronteira na TIY, localizado em Waikás, no alto Uraricoera, estrutura permanente que aumentará a repressão ao garimpo ilegal na região e também apoiará os OSP e agências.
Ações logístico-humanitárias
Durante a atuação na TIY, as FA também realizaram ações logístico-humanitárias. O apoio logístico prestado pelo Comando Conjunto Catrimani II tem contribuído com o trabalho de diferentes agências em uma área de aproximadamente 96 mil quilômetros quadrados, maior que países como Portugal, Hungria e Áustria.
As FA têm possibilitado o transporte de pessoas e materiais nesse imenso território de mata nativa que não possui malha rodoviária e cujos rios não são navegáveis nos períodos de estiagem. Esse trabalho contínuo permite, por exemplo, que os órgãos competentes desenvolvam a infraestrutura para o atendimento de saúde e social às comunidades indígenas.
Nestas ações, destaca-se o apoio de transporte aéreo. Para se ter uma ideia da dimensão, o Comando Conjunto Catrimani II já transportou cerca de 454 toneladas de carga. Perfuratriz para poços artesianos, geradores e telhas para a construção de Unidade Básica de Saúde são alguns dos materiais transportados.
Nove kits de placas fotovoltaicas foram transportados para o interior da TIY, totalizando um percurso aproximado de 4.000 km. O projeto, que é uma parceria dos Ministérios da Saúde, das Minas e Energia e da distribuidora local Roraima Energia, visa fornecer iluminação sustentável para as comunidades indígenas, diminuindo a dependência de geradores e gerando economia de combustível. Além disso, as FA prestaram apoio de transporte aéreo a 6.690 pessoas, entre militares e civis, incluindo as agências e OSP que atuam na TIY.
As FA também têm apoiado as agências na melhoria das condições sanitárias e de saúde da população yanomami. Tropas do Comando Conjunto Catrimani II atuaram na perfuração de três poços artesianos, garantindo o abastecimento de água potável aos indígenas.
No período de uma ano, as FA e agências prestaram mais de 29 mil atendimentos e procedimentos médicos e odontológicos. Em situações de emergência, mesmo em período noturno, os militares foram acionados para salvar vidas, resultando em 6 evacuações aeromédicas. No apoio de saúde, ainda, destaque para os Navios de Assistência Hospitalar da Marinha, que prestaram assistência médica aos indígenas e comunidades ribeirinhas do rio Catrimani.
Em um ano de atuação, a Operação Catrimani II demonstrou a capacidade de união de esforços entre as Forças Armadas e os órgãos governamentais no combate ao garimpo ilegal e no apoio às comunidades Yanomami. Os resultados alcançados, como a significativa redução da atividade ilegal e a realização de ações humanitárias e de apoio logístico, demonstram o compromisso com a proteção da Amazônia e com os povos indígenas.
Comando conjunto Catrimani II
A Operação Catrimani II é uma ação conjunta entre órgãos de Segurança Pública, Agência e Forças Armadas, em coordenação com a Casa de Governo no Estado de Roraima, em cumprimento à Portaria GM-MD Nº5.831, de 20 de dezembro de 2024, que visa agir de modo preventivo e repressivo contra o garimpo ilegal, os ilícitos transfronteiriços e os crimes ambientais na TIY.