POLÍCIA REVELA QUE ESTUPROS VIRTUAIS ESTÃO OCORRENDO EM MANAUS

Você já ouviu falar nos termos sextortion, estupro virtual ou extorsão sexual? Eles nada mais são do que formas de exploração que empregam modos não-físicos de coerção para extorquir favores sexuais e dinheiro das vítimas em redes sociais ou aplicativos de celulares.

De acordo com o delegado Gesson Aguiar, titular da Delegacia Interativa da Polícia Civil do Amazonas, em 2017, mais de 300 inquéritos policiais de crimes cibernéticos foram registrados no Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), 30% destes casos são de extorsão no mundo virtual.

 

“Isso é crescente aqui na delegacia. Os casos acontecem muito mais com mulheres, do que propriamente com crianças. Tem muito homem também que vem registrar casos de extorsão que ocorrem na internet”, disse o delegado.

Segundo o titular da Delegacia Interativa, um exemplo muito comum registrado pela polícia é de uma mulher que conhece um homem na internet, os dois começam a ter um relacionamento virtual, o infrator começa a pedir fotos, dinheiro, a ameaça e depois pratica a extorsão. “A melhor forma de coibir esse tipo de prática é se prevenir, ou seja, o usuário precisa denunciar perfis falsos, proibir desconhecidos de visitar a sua conta no Facebook, Instagram e Twitter”, conta.

 

Investigações

Ainda conforme o delegado, durante as investigações da polícia nos casos de crimes cibernéticos na capital amazonense, foram descobertos que os IPs (Internet Protocol ou Identificador do computador) são de outros países. “Temos infratores do México e outros países da América Central. Os infratores usam o Google Tradutor para falar com brasileiros e extorqui-los”, revelou Aguiar.

 

Estupro virtual

Aguiar destaca que no estupro virtual, que é comum aqui em Manaus, a vítima e o infrator começam a ter um relacionamento, os dois começam a se ver pela Webcam (câmera) e o criminoso começa a pedir fotos íntimas. “A mulher geralmente entrega as fotos para ele (bandido). O homem começa a pressiona-la para que ela entregue outras imagens ou vídeos de cunho sexual muito mais fortes, sem o consentimento dela, sempre ameaçando e coagindo. O que se configura como estupro virtual”, frisou o delegado.

 

Vítimas

Nesta semana, um empresário, de 55 anos, casado, que não vai ter o nome divulgado começou a se relacionar com uma suposta mulher pela rede social Facebook. Em depoimento, a vítima revelou que enviou imagens e vídeos pelo mundo virtual e foi extorquido por um homem que se passava por mulher e mora no México. Ainda, de acordo com a vítima, o infrator conseguiu subtrair R$ 5 mil por transferência bancária.

Em 2016, uma jovem de 18 anos foi presa em Manaus, suspeita de extorsão. A mulher usou um perfil falso no Facebook para praticar o crime. Ela se passou por um homem e iniciou um relacionamento com a vítima, de 19 anos, que era amiga dela de um curso preparatório para concursos públicos. De acordo com a Polícia Civil, a suspeita passou a exigir dinheiro para não publicar “nudes” (imagens íntimas) da jovem após o fim do namoro virtual. Pelo menos R$ 8 mil foram extorquidos.

 

Trauma

O psicólogo Fernando Junior, autor do projeto “Desenvolvendo Atitudes Positivas para o Cotidiano” informou quando esse tipo de crime se torna público, dentro da família e do trabalho, a vítima acaba sofrendo um grande constrangimento. “Culpa, medo e vergonha são comuns. Acrescentemos a isto, o imenso trauma e as consequências físicas e psicológicas trazidas pelo estupro e temos uma fórmula para o desastre emocional. Dentro de um processo de tratamento é importante que a pessoa busque a psicoterapia e, dependendo da gravidade, tomar medicações com o auxílio de um psiquiatra e grupos de autoajuda”, afirmou o especialista.

 

 

FONTE: PORTAL EM TEMPO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *