PINTURAS RETRATAM RAÍZES AMAZÔNICAS E DÃO VIDA ÀS ESTRUTURAS URBANAS DE MANAUS

 ​O que era um simples paredão em concreto na Avenida Djalma Batista começou a ganhar originalidade com a força de cores que retratam animais regionais, flores e rostos e homenageiam as raízes indígenas do Amazonas. Iniciada na última semana, essa é a primeira de várias artes em grafite que fazem parte de um novo projeto de revitalização de viadutos e passagens inferiores, uma parceria da Prefeitura de Manaus com grafiteiros locais.

 

A pintura, que poderia estar entre as paredes de uma galeria de arte, encontra-se exposta em plena Djalma Batista, na passagem inferior do cruzamento com a Av. Darcy Vargas. E o responsável por levar vida à “selva de pedra” é o consagrado grafiteiro Rogério Arab, que também já imprimiu seus traços junto a outros colegas na pintura do Complexo Viário Gilberto Mestrinho, no Coroado, zona Leste, no ano passado.

 

Desta vez, o artista assina quatro murais. Dois só nesta passagem de nível, no estilo do muralismo, vertente do grafite criada no México nas primeiras décadas do século XX. “Os conceitos do trabalho que estão envolvidos no processo tem essência amazônica. É a retomada da arte, da fauna e da flora em cima do concreto, por isso a obra é planejada para que as pessoas tenham a percepção de que o concreto está sendo quebrado e surgindo ícones do Amazonas em efeito 3D”, destacou.

 

Arab acrescentou, ainda, que dos quatro murais de sua responsabilidade, dois serão de autoria de grafiteiros convidados, Raiz Campos, e uma das “promessas” do grafite amazonense, Válney Moura, conhecido no meio como “Choque 220”. Segundo Arab, ele faz pintura em estilo realista e possui talento precoce.

 

Para o vice-prefeito e secretário municipal de Infraestrutura, Marcos Rotta, a arte em grafite desempenha um papel fundamental no espaço urbano de qualquer cidade. “Além de uma questão estética inquestionável, a arte do grafite de Manaus vem resgatando a identidade da cultura amazonense que não pode se perder em meio ao processo de globalização que o mundo inteiro vive. Não vamos nos fechar para o contato com outras culturas. Mas vamos, sim, sempre enaltecer nossas raízes, pois, apesar de eu não ter nascido aqui, considero como minha esta terra. Sem dúvida, esse também é o desejo do prefeito Arthur Neto”, destacou.

 

Cenário

 

Essa é a segunda vez que a Prefeitura de Manaus realiza uma parceria com artistas locais do grafite. Quem passa pelo Complexo Viário Gilberto Mestrinho, na zona Leste, pode apreciar o fruto da primeira intervenção artística dos grafiteiros em colaboração com a prefeitura. A imagem do concreto dando lugar à arte ficou entre as três melhores da América Latina em páginas especializadas de divulgação de artes urbanas.

 

Para Arab, é necessário apontar outras questões que envolvem aas artes nas estruturas urbanas. O grafite nas ruas também promove uma democratização da arte, aproximando-a da população, especialmente da juventude, que passa a ter grandes influências para dar início a um processo artístico. Além disso, novas pessoas aderem o gosto pela arte e a cidade vai se tornando mais humana.

 

“Manaus pode vir a ser a nova sensação do cenário nacional através desses grandes murais. É uma cidade geograficamente isolada e praticamente nos desenvolvemos de forma independente do cenário nacional. Estamos carimbando nosso espaço nesse cenário e isso ganha força quando o poder público, como a prefeitura, apoia nosso trabalho. Isso é essencial para conseguirmos colocar nossa cidade no em grande nível no grafite mundial”, revelou.

 

Processo artístico

 

Segundo o responsável pela revitalização, Jhonata Leão, as artes urbanas que serão expressas nos demais viadutos e passagens inferiores da cidade seguirão o mesmo tema do trabalho realizado no Complexo Viário Gilberto Mestrinho. Ele destacou o cuidado desde a escolha dos artistas até os últimos retoques nos grafites para que a preservação da ideia original do projeto.

 

“Quando começamos a garimpar quem seriam os artistas que poderiam colaborar conosco, logo surgiu o nome do Arab. Foi um trabalho bem minucioso todo feito dentro do tema Amazônia Urbana, que incluiu debates, reuniões e esboço da pintura. Confiamos muito no trabalho dele e temos plena certeza de que ele e a turma convidada farão uma arte encantadora, reflexiva e em harmonia com o tema proposto”, assegurou Leão.

 

Além do cruzamento da Djalma com a Darcy Vargas, outras áreas receberão intervenções artísticas.

 

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