PRESO NA OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL EMPRESÁRIO SÉRGIO BRINGEL POSSUI CONTRATOS MILIONÁRIOS COM O GOVERNO DE AMAZONINO MENDES

O empresário Sérgio Bringel, dono do “Grupo Bringel”, que foi um dos 11 presos na Operação Cash Back, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira, 11, em Manaus, em parceria com a Receita Federal, Controladoria Geral da União – CGU e Ministério Público Federal – MPF, possui contratos milionários com o Governo do Estado do Amazonas, na gestão tampão de Amazonino Mendes (PDT).

Para o serviço de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, a Norte Ambiental do Grupo Bringel, possui um contrato com o Estado do montante de R$ 216 milhões.

A empresa Bringel Medical Distribuidora De Medicamentos Ltda, que também faz parte do grupo, fornece material para procedimentos traumato-ortopédicos de média e alta complexidade no Platão Araújo e no João Lúcio.

Sérgio Bringel é apontado pela PF como sócio administrador da Bioplus que recebeu mais de R$ 10 milhões para execução de serviços de esterilização de equipamentos médicos por meio de contrato “hipersuperfaturado”, acarretando, segundo relatório da polícia, “enriquecimento ilícito à custa da saúde dos pacientes da UPA e maternidade de Tabatinga, que registrou, no período, diversos episódios de infecção hospitalar pelo serviços ‘prestado’ pela Bioplus”.

No pedido de prisão preventiva do empresário, a PF ressalta que o Grupo Bringel possui diversos contratos com o Estado do Amazonas, cujos indícios apontam para um alcance muito maior das práticas ilícitas por ele comandadas. “A fraude era de grande vulto, pois os serviços, nas palavras de Mouhamad Moustafa, foi hipersuperfaturados”, diz um trecho do pedido.

O empresário Sérgio Bringel e outros dez presos na operação da PF, foram transferidos nesta sexta-feira, 12, para o Centro de Detenção Provisória Masculino II (CDP II), localizado no km 8 da BR-174 (Manaus – Boa Vista).

Entenda o caso

Foi desencadeada em Manaus/AM, na manhã da última quinta-feira,11/10/2018, pela Receita Federal, Polícia Federal, Controladoria Geral da União – CGU e Ministério Público Federal – MPF, a “Operação CASHBACK”, com cumprimento de 16 Mandados de prisão e 40 de busca e apreensão em empresas e residências de suspeitos. A ação visou desarticular grupo vinculado a fraudes contra os cofres da administração pública do Estado do Amazonas, sendo mais um desdobramento da Operação Maus Caminhos.

Participaram da operação 10 Auditores e 10 Analistas da Receita Federal, 150 policiais federais e 8 auditores da CGU.

As investigações revelaram, numa análise preliminar realizada pela Receita Federal, que empresas fornecedoras de mercadorias e serviços para o Estado do Amazonas utilizavam notas fiscais e recibos frios para geração de despesas fictícias, que, além da redução de tributos a pagar, permitia a geração de “caixa 2”, o que, em tese, serviria para enriquecimento ilícito, pagamento de propinas e lavagem de dinheiro. Há suspeitas de que esse mecanismo só foi possível por meio do superfaturamento dos serviços e produtos fornecidos.

Em quatro anos essas empresas receberam mais de R$ 400 milhões do governo estadual, estimando-se que as fraudes perpetradas superem R$ 140 milhões (cento quarenta milhões de reais). A Receita Federal estima que mais de R$ 58 milhões de reais deixaram de ser pagos em função da redução fraudulenta de tributos com despesas fictícias, que em valores atualizados, mais multa, podem alcançar montante superior a R$ 120 milhões (cento vinte milhões de reais). Novas provas e informações devem ser obtidas com o desencadeamento da operação, dando uma maior dimensão dos prejuízos causados pelos criminosos.

O termo “CASHBACK”, refere-se à prática do retorno do dinheiro pago às empresas fornecedoras de produtos e serviços do Instituto Novos Caminhos ao líder da organização criminosa, para que fosse redistribuído a título de propina aos agentes públicos e políticos.

 

Fonte: Ácritica / Receita Federal / Polícia Federal / Controladoria Geral da União / Ministério Público Federal

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