LAVAGEM DE DINHEIRO E FALSIFICAÇÃO DE NOTAS FISCAIS: FORTE EMPRESÁRIO DE MANAUS SERGIO BRINGEL, DONO DO “GRUPO BRINGEL” É ALVO DA OPERAÇÃO ‘CASHBACK’ DA POLÍCIA FEDERAL

A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira, 11, em Manaus, diversos mandados de busca, apreensão e prisão na “Operação Cashback”, que investiga a prática de crimes de crimes de peculato, lavagem de capitais e organização criminosa. Ao todo, 150 agentes da Polícia Federal estão envolvidos na ação.

Entre os alvos da operação da PF, está o forte empresário Sérgio Roberto Melo Bringel, dono do “Grupo Bringel”, uma das maiores redes de medicamentos que fornece para o Governo do Estado do Amazonas, por meio de contratos milionários com a Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam).

O grupo Bringel, é responsável pela coleta de lixo hospitalar, equipamentos hospitalares, sistema de gestão de hospitais e esterilização de materiais em diversas unidades de saúde da capital. A sede do grupo fica na avenida Cosme Ferreira, bairro Coroado, Zona Leste.

De acordo com Polícia Federal, a operação é resultado da perícia realizada em celulares e computadores dos suspeitos identificados na Maus Caminhos, que identificou trocas de mensagens entre os investigados e descobriu mais empresários, advogados e políticos envolvidos no esquema de corrupção, com falsificação de notas fiscais, empresas fantasmas e lavagem de dinheiro.

As investigações da “Operação Cashback” revelaram em uma análise preliminar realizada pela Receita Federal, que empresas fornecedoras de mercadorias e serviços para o Estado do Amazonas utilizavam notas fiscais e recibos “frios” para geração de despesas fictícias. Além da redução de tributos a pagar, esse modus operandi permitia a geração de “caixa 2”, o que, em tese, serviria para enriquecimento ilícito, pagamento de propinas e lavagem de dinheiro. Há suspeitas de que esse mecanismo foi favorecido pelo superfaturamento dos serviços e produtos fornecidos.

Em quatro anos, essas empresas envolvidas receberam mais de R$ 400 milhões do governo estadual, estimando-se que as fraudes perpetradas superem R$ 140 milhões. A Receita Federal estima que mais de R$ 58 milhões de reais deixaram de ser pagos em função da redução fraudulenta de tributos com despesas fictícias. Esse montante, em valores atualizados e acrescidos de multa, pode alcançar mais de R$ 120 milhões. Novas provas e informações devem ser obtidas com o desencadeamento da operação, dando uma maior dimensão dos prejuízos causados pelo grupo investigado.

Estão sendo cumpridos 16 mandados de prisão temporária e 40 mandados de busca e apreensão em empresas e residências de investigados. Participam das ações 10 auditores-fiscais e 10 analistas-tributários da Receita Federal, além de 150 policiais federais e 8 auditores da CGU. São investigados os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O termo “CASHBACK”, refere-se à prática do retorno do dinheiro pago às empresas fornecedoras de produtos e serviços ao líder da organização criminosa, o que possibilitava a redistribuição a título de propina aos agentes públicos e políticos.

 

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