AO CONTRÁRIO DO QUE MOSTRAVAM PESQUISAS MELO VENCEU BRAGA E ARTHUR VENCEU MARCELO. POR QUE AS PESQUISAS ELEITORAIS SE DISTANCIAM TANTO DA REALIDADE? O QUE ACONTECEU?

“Hoje é sábado, 22 de setembro de 2018. Considerando a margem de erro do Ibope, feliz Natal!” Brincadeiras assim se espalharam pelas redes sociais nas últimas semanas. A razão foram às divergências entre os resultados de pesquisas eleitorais e das eleições reais.

Os erros mais graves ocorrem nas pesquisas do tipo boca de urna. Elas deveriam chegar a números consistentes com a apuração das urnas, mas erraram muito. O que aconteceu? Poderemos contar com pesquisas melhores no futuro?

Fora o prejuízo à imagem de respeitados institutos de pesquisa, as piadas revelam um cenário preocupante. Pesquisas eleitorais servem de ferramenta de decisão para eleitores, partidos e candidatos. É comum que o cidadão use os números para tomar decisões cruciais, escolher entre voto útil e voto de princípios, ou escolher, entre dois candidatos, qual considera com maior chance de bater um terceiro. Se nem as pesquisas de boca de urna no dia da eleição muitas vezes refletem a realidade, fica ainda mais difícil confiar nas pesquisas de intenção de voto, feitas antes das eleições.

Algumas pesquisas feitas em pleitos anteriores na Capital e também no Estado do Amazonas, chegaram a resultados muito diferentes dos apurados depois. Aqui na querida “Terrinha” onde muitos dizem, que até boi pode voar, vimos institutos de pesquisas errarem feio, e prefiro não citar nomes, por uma questão de amizade e ética. Em uma disputa anterior ao Governo do Amazonas, vimos José Melo (Pros), vencer Eduardo Braga (MDB), quando Melo sempre aparecia em último nas pesquisas. E também vivenciamos em uma disputa para prefeitura de Manaus, a reeleição do atual Prefeito Arthur Neto (PSDB), sobre Marcelo Ramos (PR), quando pesquisas mostravam a vitória de Marcelo.

A rápida difusão da tecnologia pode fazer sumir em breve a preocupação com a qualidade das amostras. Nos Estados Unidos, os institutos fazem pesquisa probabilística enviando aleatoriamente mensagens para os celulares dos cidadãos. Assim, têm acesso a 90% dos adultos. No Brasil, estamos perto disso: 83% dos adultos têm celulares, ou 115 milhões de pessoas. Se eles forem capazes de entender perguntas por escrito e respondê-las, contaremos com resultados de pesquisas mais fiéis à realidade.

Está aí o caminho para que os institutos deixem de ser motivo de piada, e para que contemos com pesquisas melhores a amparar as decisões.

 

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