BIBLIOTECA FIEAM DÁ SUPORTE PARA APROVAÇÃO DE ALUNOS NO VESTIBULAR

A Biblioteca Raimar Aguiar, da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), tem desempenhado papel importante, para muitos jovens, na realização do sonho de passar no vestibular. Este ano, pelo menos três dos frequentadores mais assíduos, que utilizam o espaço para complementar os estudos em cursinhos, obtiveram aprovação para medicina, um dos cursos mais concorridos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Jessica Santana, 21, é uma das aprovadas em medicina, na UEA, após três anos estudando diariamente em cursinhos e na Biblioteca Raimar Aguiar, com uma dificuldade adicional: todos os dias tinha que vencer os 100 quilômetros que separam Manaus do município onde reside, Manacapuru. “Em Manacapuru é disponibilizado pela prefeitura um ônibus para os universitários que estudam em Manaus. Não tinha como morar aqui, então diariamente eu usava essa logística”, explicou Santana.

Com aulas no cursinho todos os dias, Jéssica conta que reforçava os estudos na Biblioteca, pois em casa não conseguia render muito. “Nesse período eu me sentia sempre muito cansada e praticamente só estudava na sala de aula e na ‘Raimar’, porque o trajeto até em casa era muito cansativo”, disse ela. A rotina de estudos era intensa, e, de acordo com Jéssica, o processo até a conquista da aprovação lhe trouxe várias dicas e lições.

“A primeira coisa que eu percebi logo no primeiro ano intensivo de estudos é que só assistir às aulas de reforço em cursinho não adianta, você não rende, é preciso sentar e estudar aquele conteúdo e resolver sempre muitos exercícios”, ressaltou a caloura que pretende voltar para o interior ao concluir o curso e atuar lá na área. “Pretendo trabalhar no interior, quando concluir o curso, porque, além de ser minha casa é também um local carente de médicos. Acredito que nós que somos do interior temos essa motivação de voltar e tentar ajudar de outra forma”, relatou ela.

Com planos de se formar e se especializar em dermatologia, a estudante Suane Barbosa, 21, ingressa este ano, também na UEA e no curso de medicina, após cinco tentativas. Moradora de Tefé, a 523 km de Manaus, ela chegou a entrar na faculdade de enfermagem ao longo do processo de estudos, porém viu que medicina era realmente o curso que queria e decidiu retomar os estudos para a área.

“Saía do cursinho e corria para a Biblioteca Raimar Aguiar, pois achava que estudar sozinha era necessário para complementar o que aprendia. Só ia embora quando encerrava o expediente da FIEAM”, relembrou ela. No último ano, Barbosa intensificou os estudos somente por meio de provas passadas e conquistou a aprovação. “Valeu a pena esperar para realizar o sonho, tenho certeza de que serei uma profissional competente”, comemorou.

Sonhos realizados

O foco nos estudos foi interrompido pela necessidade de trabalhar para o hoje recém-ingresso em medicina na UEA, Rayson Feijó, 23. Estudando desde 2015 para entrar no curso, ao receber uma proposta de emprego, ele deixou de lado a prioridade nos estudos para conseguir se sustentar e bancar os cursos e aulas extras para auxílio no vestibular.

Feijó tentou conciliar as duas atividades, mas não teve sucesso e acabou dando uma pausa nos estudos. “Eu não podia sair do emprego porque precisava me sustentar, precisei buscar apoio para ter dedicação exclusiva aos estudos, foi então que recebi o apoio de minha mãe e da irmã e iniciei o processo com mais intensidade”, contou ele.

O calouro criou sua própria rotina de estudos, assistia vídeos-aulas e resolvia provas passadas da mesma banca do vestibular.  “Durante três anos, entre idas e vindas, estudei na Biblioteca Raimar Aguiar e avancei muito nos estudos aqui, porque encontrar um local acessível e propício para os estudos é difícil. Aqui eu vejo esse diferencial”, explicou Feijó.

Opção pelo teatro

Para a artista local, Crislene Almeida, 24, não foi diferente. A opção de estudos na ‘Raimar Aguiar’ auxiliou na aprovação no curso de teatro da UEA. “Eu precisava estar concentrada e aqui foi o lugar ideal”, disse ela. Atuante no teatro local há quatro anos, Almeida, busca maior qualificação para crescer na área.

“Para eu me tornar uma profissional melhor e mais completa preciso dessa formação, porque a intenção não é só atuar, mas também dirigir. Gosto de estar envolvida tanto atuando quanto por trás das câmeras”, frisou Almeida.

O processo artístico na cidade está em constante evolução, e, de acordo com a recém-ingressa no curso, os artistas locais têm muito potencial. Todo final de semana, segundo ela, existem apresentações artísticas em diversos pontos da cidade, porém falta ainda o interesse pelo artista local.

“Por muitos anos achei que o melhor caminho para crescer nessa área sempre esteve fora da cidade, mas hoje consigo ver que estamos aos poucos ganhando nosso espaço e pretendo atuar localmente ao concluir a graduação”, disse ela.

 

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